Éramos trêsPor volta de 1990, Zé Roberto e Yan Kaô se conheceram nas aulas do percussionista Paulo Campos, do qual foram alunos durante um ano. Zé Roberto vinha de vários grupos de baile, onde já atuava como percussionista profissional há alguns anos. Yan Kaô também atuava na noite como baterista e percussionista, tendo acompanhado cantores como Leni Andrade, Branca de Neve e atuado em grupos de Rock e Reggae.
Zé RobertoO amor pela percussão (e tudo que a ela estivesse ligado, desde o erudito até o rock, passando pelas manifestações religiosas, como os cultos de nação africana e indígena e a Umbanda) e pela pesquisa de música étnica foi tão intensa que os levou a se aprofundarem na descoberta e no estudo de novos ritmos e novos sons.
Yan KaôEssas pesquisas os levaram de encontro a dois registros que dariam as direções para o que seriam as origens do Kangoma: o primeiro, gravações raríssimas do "Rei do Ganzá", Chico Antônio, coquista, impressionante retrato do improvisador nato, onde a música modal se apresenta em sua maior expressão de liberdade e expontaneidade.
Estudado por Mário de Andrade, Chico Antônio é a própria celebração e sobrevivência dos ecos de uma antiga tradição ancestral indígena de canto, que a primeira audição pode gerar estranheza aos ouvidos acostumados aos timbres bem comportados da música pop e comercial. Depois desta audição, Yan Kaô e José Roberto encostaram temporariamente as baquetas e tambores e atuando apenas com dois ganzás deram início a apresentações de grande sucesso onde o improviso era levado a tal intensidade que as apresentações da dupla chegavam a penetrar nas instâncias do transe deles mesmos e da platéia (!).
Chico Antônio
O segundo registro a impressionar os dois jovens percussionistas foi o disco Canto dos Escravos, um importante e comovente resgate dos cantos dos antigos negros expatriados, onde atuam Clementina de Jesus, Tia Doca, Geraldo Filme, Djalma Correia e Papete.
O Canto dos Escravos

A Rainha: Kelé - Clementina de Jesus
A partir desta descoberta a dupla voltou a utilizar-se de tambores e outros instrumentos de percussão. É deste disco a canção que batiza o grupo: Kangoma. Orientados a fazerem uma fusão entre uma raiz musical espontaneamente característica em sua linguagem indígena como era Chico Antônio com as raízes negras do Canto dos Escravos e do Jongo mais as influências espiritualistas da Umbanda, o Kangoma ampliou sua visão de cada vez mais universalizar seu som na direção do resgate da música modal, em suas origens mais simples e calcadas no improviso e na criação.
Chamaram para o vocal uma exótica e excelente cantora, que apesar de suas origens orientais possuía uma voz de característico timbre negro: oriunda do grupo paralelo de Yan Kaô e José Roberto, o Jardim Elétrico, Regiani Guarnieri entrou para o grupo em 1997 e assim criaram uma espécie de pacto que se consubstanciou em excelente performances e apresentações em diversos locais do estado de São Paulo e do interior. Esta formação durou até 2000, quando Yan Kaô, mudou-se para o interior de São Paulo, e afastou-se parcialmente do grupo. Zé Roberto e Regiani continuaram a apresentar-se como dupla em diversos locais até que em comum acordo Regiani e Zé Roberto decidiram recrutar novos integrantes até que Yan pudesse se reintegrar novamente.
Regiani Guarnieri
Ouça Regiane Guarnieri, cantando a música "Sêca" com a banda Jardim Elétrico em 2000, clicando abaixo:
Banda Jardim Elétrico (2000):
Regiani Guarnieri: Voz
Anabel Andres: Teclados
José Roberto: Percussão
Marcelão: Baixo
Marquinhos: Violão
Para ouvir Kangoma ao vivo na Puc (1999), a música "Canário do Reino", passagem de som - direto da mesa - clique abaixo:
Regiane Guarnieri - Voz; Yan Kaô e José Roberto - Percussão
Para ouvir Kangoma ao vivo na Puc (1999), a música "Canário do Reino", passagem de som - direto da mesa - clique abaixo:
Regiane Guarnieri - Voz; Yan Kaô e José Roberto - Percussão


1 comentários:
Olá Yan,
eu havia postado em dezembro o disco Canto dos Escravos no meu blog, mas em meu arquivo faltava algumas faixas. Além do mais, o link venceu e eu queria renová-lo, mas completo. Pesquisei na rede, mas todos os arquivos do disco que encontrei eram o mesmo que tenho. Na minha pesquisa, acabei chegando a este post do seu blog. Por acaso você não teria o disco completo para me passar? Se tiver, me envie o link por e-mail (toquelinkmusical@gmail.com). Prometo usá-lo apenas para baixar para mim, depois farei outro, mas também não esquecerei de mencionar os seu blog.
Valeu!
TM
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